segunda-feira, 9 de maio de 2011

Estar sozinho porque não se quer desistir do verdadeiro eu não é estar só!

Heidegger chama a atenção que para resolvermos o nosso eu temos de parar para o escutarmos. Centrarmos o âmago do que somos. Afastarmos aquilo que nos empurra para fora de nós, como se a procura do nosso eu estivesse algures perdido no espaço circundante, pois cada um de nós está de facto dentro de si mesmo, esquecemo-nos de "demorar junto do que está perto e meditarmos sobre o que está mais próximo: aquilo que respeita a cada um de nós, aqui e agora".

Contudo, é este o tempo em que eu vivo. O tempo do predomínio do exterior sobre o interior, o tempo da distracção, do entretenimento, das conversas à superfície, dos amigos plastificados, tais como os cartões que se trazem na carteira, e dos namorados descartáveis, enfim - vai-se ao café, ao cinema, aos bares, ás discotecas, aos concertos, de férias, de fim-semana prolongado, de jantar, etc. etc. - com vista a encontrarmos algo que nos fascine em vez de algo que nos faça encontrarmo-nos a nós mesmos. Desse modo vamos desviando a nossa identidade para o exterior. Vamos perdendo o que somos. Vamos sendo o que os outros querem que sejamos. Esquecemos de nos fascinar connosco.

Procurarmos sentir o fascínio de sermos, nós próprios, aqui e agora, de nos tomarmos como alguém especial, não é orgulho, nem narcisismo, nem vaidade... todos estes defeitos são exactamente o contrário do que refiro, estes têm em conta o olhar dos outros, a procura de "aprovação", de aceitação social ou a defesa do eu quando não se sente "aprovado". Falo, pelo contrário, de admirar o prazer que o nosso próprio ser provoca nos outros.

Li um texto na revista "Saber Viver" de Teresa Marta que fala sobre a "Alma Gémea" e diz a autora que "Na concepção existencial do Ser Humano, esta pessoa não deve procurar-se. Porque o Eu Existencialista é um Eu com singularidades próprias, com angústias e alegrias próprias, com objectivos próprios, com uma forma própria de sentir, diferente de Outros. Quer isto dizer que partir à procura do nosso EU Gémeo poderá ser uma procura vã, porque não existe um eu feito à nossa medida exacta."

Ou seja, encontremo-nos a nós, gostemos de nós, mimemo-nos a nós e tratemos os outros com todo o respeito e bondade, pois saberemos que para eles é um prazer estar com alguém que transmite boa energia, que sabe sorrir e agradecer pois não se vê a si mesmo como um desgraçado ou amaldiçoado. Uma coisa é termos momentos tristes e situações de desânimo na nossa vida, outra é sermos pessoas tristes e desanimadas. Temos de cultivar o amor verdadeiro em nós e por nós e deixá-lo sair pelos nossos poros, pelo nosso olhar, pelo nossos gestos e pelo nossos lábios. Hoje vou amar-me... é abrir os braços.