domingo, 23 de outubro de 2011

o amor é para os parvos

"não sei se cheguei a explicar-te, dois corpos não carecem de mais do que da fugidia linguagem dos sussurros, dos beijos que eriçam a pele, dos arquejos que preparam a doce deflagração de um amplexo. Era o caso dos nossos dois corpos. Olha. Estão deitados de lado, muito próximos, juntos, ambos em posição fetal, o teu peito contra as minhas costas, como se se tivessem moldado um no outro ou estivessem à beira de se fundir. Tu moves os lábios e dizes qualquer coisa num tom de voz tão sumido que humano algum poderia ouvir o que ali foi dito. Mas o que disseste foi
- Não chores mais."

O amor é para os parvos.

Manuel Jorge Marmelo
Edições Quetzal