domingo, 4 de março de 2012

há cidades esquecidas pelas semanas fora. (...) Nelas queimo o mês que me pertence. o da minha loucura, escada sobre escada.

estes degraus de ruídos | dos silêncios fechados de engolir em seco. de interrogações. de serem o desconhecido ilustre. o pássaro estrangeiro da gaiola. o que não conhece o décimo céu | podia esvoaçar numa dança | estanquei há muito o sangue que me escorria pela planta do pé | arrancadas as raízes | que cidade é a nossa a não ser o mundo que habitamos presos à loucura de virmos a amar e com essa semente voltarmos a ser de alguém em algum lugar?
[em toda a parte] nas escadas das pontes sobre os rios e mares a chegar | à praia | nas escadas de farol onde avisto o barco negro ao longe | à luz | sou [um pássaro em voo por cima das ondas...] a esquecer das cidades, do fado e do património. dos velhos dizeres loucos que envelhecem | das velhas loucas | eu sei... o que não esqueço | não esqueço… dentro do meu peito estás sempre comigo [vem onde as ondas se tornam asas] onde a minha única loucura é acreditar | as ondas são como o meu coração se comporta | nesta cidade à beira rio e com o cheiro do mar igual ao das tuas narinas [de que tenho senão saudade] não esqueço… a boa lembrança são os meus sorrisos [em toda a parte]


© cristina de oalves
Publicado no grupo Sintonia sobre Pretexto (facebook) a 2 de Fevereiro de 2011