As pessoas "desfelizes" começaram a morrer, por dentro, sem dar por isso. [Isolam-se do risco de sentir.] Não dizem: "Eu quero!" ou "Desejo-te!", por exemplo. Mais facilmente usam "gostava" e "queria". [São mais amigas dos pretéritos que do presente...ou aparentam futuros condicionais, como "um dia…", fazem do pretérito presente] E deixam de dizer: "Ajuda-me!" As pessoas "desfelizes" nunca saíram do passado. Talvez seja por isso que não choram quando morrem. Porque, sem darem por isso , fecham os olhos, aos bocadinhos, todos os dias e perdem, sem querer, o privilégio de chorar.
[Privilégio... de chorar e de sonhar.]
Eu acho (...) que sempre que morre um sonho se acende uma sombra. Imagino que me perguntes se as pessoas "desfelizes", quando nos tocam assustam os nossos sonhos e acendem sombras dentro de nós... Acredito que sim. Levam-nos, até, a sentir que grande parte dos nossos amigos não chegam das nuvens. Suponho que é por isso que sempre que as pessoas "desfelizes" olham para nós nos sentimos desencorajados. Desencorajar é uma arte. E é com ela que nos desencantam dos sonhos. E isso... é uma forma de fecharmos os olhos. Sem dar por isso.
[Que é como quem diz... de morrer sem chorar...]
[Que é como quem diz... de morrer sem chorar...]
[Cristina de OAlves a partir do livro de] Eduardo Sá (psicólogo), Nunca se perde uma Paixão.
in fotografia: ©cristina de oalves
Publicado no grupo Sintonia sobre Pretexto (facebook) a 29 de Dezembro de 2011
