não faltam por aí corações a deslizar por palavras, vivos, vivo a tropeçar em uns quantos, arrumo em gavetas outros, deixo a flutuar na ar mais alguns.
era uma vez um que apareceu colado solitário no vidro de trás do carro, até lhe tirei uma fotografia, afinal era uma folha amarela, que acabei por reescrever mais tarde.
e outra ocasião tive de correr a devolver a seu dono um que tinha encontrado caído no chão, entre a beira de um banco de jardim e a beira de um canteiro de flores laranja, em contraste com as beiras o seu interior era sumarento, pequeno grande, rasurado e sábio, eu queria guardá-lo só para mim… de tão especial… eram o prazer do encontro de um belo texto.
uma outra vez também já me pediram um de volta, tipo livro de bolso de cerca de 500 páginas condensadas, que supunha que tinha sido oferecido e que andava comigo no casaco, mas quando meti a mão à procura tive de a tirar vazia, estendida, a pedir desculpa, vi que tinha o bolso furado, suponho que tenha ficado enfurecido, o bolso, ao rasgar-se assim, com o peso da oferenda.
mas vou aprendendo com o meu coração que corações são o de cada um a bombear cá dentro, não temos, são nos, damos nos, porque somos.
de vez em quando também eu fico com a sensação de ter deixado o meu esquecido em algum devir escrito em devaneio, depois ando por aí a perguntar e recebo perguntas de volta: como é que ele é?
Quem sabe, escreva antes um anúncio daqueles para pendurar na cortiça das lembranças do quarto “o coração, voando no céu aberto, passeando em jardins, calcorreando ruas e vielas, em horas com outros e nas horas nossas, e de lés a lés, por toda a parte, enquanto o sentirmos cá dentro é nosso, até quando diz em cada batida forte um outro teu nome coração”.
in escrito:©cristina de oalves
e outra ocasião tive de correr a devolver a seu dono um que tinha encontrado caído no chão, entre a beira de um banco de jardim e a beira de um canteiro de flores laranja, em contraste com as beiras o seu interior era sumarento, pequeno grande, rasurado e sábio, eu queria guardá-lo só para mim… de tão especial… eram o prazer do encontro de um belo texto.
uma outra vez também já me pediram um de volta, tipo livro de bolso de cerca de 500 páginas condensadas, que supunha que tinha sido oferecido e que andava comigo no casaco, mas quando meti a mão à procura tive de a tirar vazia, estendida, a pedir desculpa, vi que tinha o bolso furado, suponho que tenha ficado enfurecido, o bolso, ao rasgar-se assim, com o peso da oferenda.
mas vou aprendendo com o meu coração que corações são o de cada um a bombear cá dentro, não temos, são nos, damos nos, porque somos.
de vez em quando também eu fico com a sensação de ter deixado o meu esquecido em algum devir escrito em devaneio, depois ando por aí a perguntar e recebo perguntas de volta: como é que ele é?
Quem sabe, escreva antes um anúncio daqueles para pendurar na cortiça das lembranças do quarto “o coração, voando no céu aberto, passeando em jardins, calcorreando ruas e vielas, em horas com outros e nas horas nossas, e de lés a lés, por toda a parte, enquanto o sentirmos cá dentro é nosso, até quando diz em cada batida forte um outro teu nome coração”.
in escrito:©cristina de oalves
Publicado no grupo Sintonia sobre Pretexto (facebook) a 30 de Março 2012