…nada me entristece mais do que uma casa abandonada, uma cama fria ou um coração sem sentimento para dar... até habitarem me ausências de portas com trancas no peito [mistério da paz] de madrugada acordo sonhos e pesadelos, por lá [abri a janela que dava sobre o mar e a minha mão, ou asa direita, tornou-se um peixe evadido] vi o oceano, viajei com cardumes, lado a lado encontrei um cavalo-marinho a querer comunicar debaixo de água e com algum esforço conseguia dizer mi [vibrando me mudava de cor]…promessa de música e a viagem de um beijo… acolhidos ao sol [nos raios que perfuram as profundezas dos jardins de algas] eram imensos os turbilhões de tempestades e fui me deixando arrastar na corrente fria escondendo me num navio pirata... por dó [continuo a ver da janela um azul esverdeado] e por si [deixei de saber onde estou]... escondi me em páginas de dias brancos entre a capa e a contra capa, à re [te aguarda] quem sabe como quem não sabe como acontecer um re [começo] às páginas tantas soluço oxigénio perguntando me que sons de distância vão com fa [faz de conta] e vejo então que me aproximo de uma composição sem casa, sem cama, sem sentimento | é preciso desmemorizar o que entristece, deixar escrito algures... como quem volta para casa de nenhures
escrito: © cristina de oalves