"Os braços arvorados acima do trono. Como um rasgão luminoso movido de tudo
a uma potência orgânica de astro:
Astro
pleno,
Ameaça de desordem sobre uma trama exacta
de números
de gramática. Se dessa pauta se arrebatasse
a cerrada ligeireza
de dança. Inominável sistema
de peso e graça. Se a matéria crescesse
fincada
num tendão. Pela abertura fortemente
entre os nervos: pelos membros
se gerasse pulsando a forma. E uma
soberania formal
ardesse pelo meio. Os dedos:
uma estrela poderosa. Toco-te cheia
de fósforo
_________ de sangue
de força elétrica. A lua que é o fundamento,
O halo da tua onda
de oxigénio: de seda. Urdes a brancura
que te urde
o sono: que te acorda
em sobressalto atravessada
pelos relâmpagos. És o teu próprio nexo.
Toco-te apenas."
Herberto Helder, in Poesia Toda, (a cabeça entre as mãos - todos os dedos da mão)
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