por aqui se cresce a sentir | sem saber o quando e o como e o tal e qual _______ somos do acaso | do click play | viagens de umas quantas palavras no canto de uma janela | escritas em farrapos que ocorrem de pensadas sentidas e acumuladas | de camadas de um tempo sobre camadas de ser | rasura | mais palavras | por contar | deixadas em lugares incógnitos do para quê quem | sem sentido | sou do oceano, água, de um rio | que se estende entre pedras, que se fazem areias, que se enrolam em ondas | amanhã, ainda aqui agora, onde tudo se já não é | sentido fica esse olhar | que no canto de uma janela | ressoa só a medos de modos | de continuar a ser | o sentir | este é o meu | quase a/caso do teu | existem sorrisos nele em mim | o que escrevo é a memória pelo toque dos meus dedos | nas minhas mãos vazias | a dizer-nos outra vez _________________________ gostava de ir neste escrito num avião de papel a voar pela janela | sem ter de escrever de novo | o que não saberei repetir | a memória atraiçoa | caso tivesse de estar não saberia ficar e enquanto tivesse de ficar não saberia estar | se o papel não humedecesse até se desfazer na chuva | gostaria de ir neste escrito num avião de papel a voar pela janela | então, talvez, saberias agora o que digo ____ outrora disse demasiado ______________ mas já sobra pouco do passado | o ainda passa | o que falta vai lento | o pouco corre
© cristina de oalves