quando dentro de ti mora a mais improvável imaginação, maior do que tu
e a sobreviver por mais um século
a imaginação de avistar te | ao longe de costas | não saberes que | estou a ver te e ainda te quero | não olhares os teus olhos nos meus | não dizer nada | não saber o tudo que te justifica e de nada te serve | também eu não sei o que sei | não percebes | nem eu me entendo | mesmo em todos os gestos em que nos dançamos | mesmo que me repita 100 braços | e te repitas desse outro lado 100 mãos | negando e afirmando | negando e afirmando e perguntado | e agora? | vamos ser um simples gesto invisível | sem ter nada para gesticular | perdidos 100 braços e outras 100 mãos __ | vamos | sobreviver mais um século | uma fotografia escrita rasgada | ou vamos | viver hoje neste futuro incerto | para a frente, frente a frente com a história braços abertos | mãos que vêm | a vir a ver e a estender o mundo ___ não te pergunto | digo me já | vamos | abrir o coração de olhos fechados
© cristina de oalves (escrito e fotografia, a partir de instalação vídeo/2 canais, 14min: berlin remake, de Amie Siegel)
publicado no grupo Sintonia sobre Pretexto FB, a 12 abril 2013
publicado no grupo Sintonia sobre Pretexto FB, a 12 abril 2013
[nota sobre o trabalho da Amie Siegel: In “Berlin Remake“, past and present collide. Amie Siegel juxtaposes footage from East German state films with her own shot-for-shot remakes, in which she recreates the original movements in the same locations, approaching the earlier film scenes as if they were musical scores to be performed]
