sexta-feira, 3 de maio de 2013

escrevo da luz em que as palavras se recortam.
É da natureza do pensamento
um rasgo de nada e de tudo
sem frente, sem costas, como uma árvore
crescendo galhos em todos os lados e continuamente, as folhas dispersas
a vida não espera o destino

escrevo do azul envolvente do todo ao centro.
É um dia desperto e não um sonho adormecido
nem este escrito é um poemário, nem um herbário caule em flor, nem um entendimento botânico de um nome escrito ao lado, 
não há esperança nem verde 
há condição e vontade

escrevo da água transbordante sobre a terra.
que não é tudo, nem nada, nem todo, nem plana, fluindo é o ritmo do caudal, contrário do sem, do nem e do não 

escrevo como quem mergulha. 

escrevo de olhos fechados.

escrevo para vir à tona e perceber o ar. 

escrevo-te a ti, aqui, ali, aí e tão perto, em qualquer parte de mim
do bom de abraçar árvores, de escrever o que apetece
do bom de abrir frases, como quem abre caminhos como quem abre os olhos como quem solta mãos, ______  escrita deslocada sem pontuação certa como se me pudesse ler e saber de ti.

E quando não escrevo reescrevo
o que somos, o que és, o que sou
é o tempo feito de uma outra matéria ____ não está nos livros nem nos poemas, nem na memória nem neste texto,
mesmo assim
se leres o que sinto saberás de mim

sentirás em ti o que quero dizer.


 © cristina de oalves