escrevo da luz em que
as palavras se recortam.
É da natureza do
pensamento
um rasgo de nada e de
tudo
sem frente, sem
costas, como uma árvore
crescendo galhos em
todos os lados e continuamente, as folhas dispersas
a vida não espera o
destino
escrevo do azul
envolvente do todo ao centro.
É um dia desperto e
não um sonho adormecido
nem este escrito é um
poemário, nem um herbário caule em flor, nem um entendimento botânico
de um nome escrito ao lado,
não há esperança nem
verde
há condição e vontade
escrevo da água
transbordante sobre a terra.
que não é tudo, nem
nada, nem todo, nem plana, fluindo é o ritmo do caudal, contrário do
sem, do nem e do não
escrevo como quem
mergulha.
escrevo de olhos
fechados.
escrevo para vir à
tona e perceber o ar.
escrevo-te a ti,
aqui, ali, aí e tão perto, em qualquer parte de mim
do bom de abraçar
árvores, de escrever o que apetece
do bom de abrir
frases, como quem abre caminhos como quem abre os olhos como quem solta mãos,
______ escrita deslocada sem pontuação certa como se me pudesse ler
e saber de ti.
E quando não escrevo
reescrevo
o que somos, o que és,
o que sou
é o tempo feito de
uma outra matéria ____ não está nos livros nem nos poemas, nem na memória nem
neste texto,
mesmo assim
se leres o que sinto
saberás de mim
sentirás em ti o que
quero dizer.
© cristina de oalves