Cenas de um tornado
Por serras, montes e vales, um caminhante, chega à porta de Zine, luminosa
Muitos galhos quebrados e portas que rangem
ainda lá está o povoado despido, desabrigado.
Começou com uma brisa, fria e aguda no som, cresceu, vendaval, as janelas batem
o palácio vermelho, os guizos, o assobio dos ratos, tudo soa alto.
Papéis e papéis, livros, cartas e envelopes, nem um só jornal
Viu num mapa o deserto adiante, para Norte
a escuridão da floresta mesmo ao lado,
uma pintura, uma moldura dourada, o rosto da Dama
um diário sobre o canapé laranja, lê, anotando a direção dos ventos
e a expressão aquosa suspensa no canto dos olhos.
escrito & fotografia: © cristina de oalves
