segunda-feira, 1 de julho de 2013

the walls of illusion ou a falta de autenticidade diante do espelho

Os olhos são o eco das palavras que eu não sei pronunciar mas estão à vista de todos. 

acho que existe um olhar acerca da realidade que é feito da percepção de camadas de sentidos

contudo,

porque a realidade é feita de sentidos esse "contudo" quer dizer que ainda assim a realidade não tem sentido nenhum quando a (d)escrevemos - somos estranhos às nossas palavras, feitos de camadas de vivências e vamos dando sentido a estas conforme as palavras que dizem das percepções que são feitas de sentidos, de emoções e de razões que vamos aprendendo e reaprendendo

através de memórias, de acasos, de perspectivas, de fusões
de linhas paralelas e de cruzamentos, de analogias e de contradições
daquilo que nos faz diferentes e próximos
daquilo que me faz sentir humana e pertença e ausência
daquilo que me diz que me encontro noutros apesar de tantos desencontros pela vida... (frase que me traz a memória de um poema/música do Vinicius "samba da benção"; música que me anda a martelar em samba já antes da chegada do S. João... camadas de ritmo em que me movimento e me equilibro... - sou de constatar)

gosto por isso da palavra porque ela me diz de inúmeras maneiras 

a palavra é eu sou mesmo que eu não seja só palavra
da mesma maneira, embora diferente, interessa-me e apaixona-me a poesia... 
porque sou mais da emoção e gosto de ler emoções
leio e escrevo consoante as variações do meu sentir 
porque uma só palavra pode ter tantas camadas quantas as que sentimos nas nossas próprias camadas de pele e também por dentro até ao sangue - diante do espelho poético eu sou também outros que são
e não somos só palavra mas gosto de palavras e de pessoas e de pessoas com palavra
e, dou a minha palavra, ainda gosto de olhar nos olhos das pessoas
e, dou a minha palavra, também gosto de desenhar palavras sem ver
mesmo que possam não ter sentido nem encontrar sentido nem direcção nas suas linhas de frases feitas de vogais e consoantes , há também o silêncio que as palavras desenham entre si - diante do espelho eu e os outros somos também silêncio sem palavras

gosto de me corrigir quantas vezes me apetecer

gosto de olhar para trás, de ver o presente em transformação e de sonhar com futuros
e posso ser estranha
e posso ser confusa
posso não dizer nem escrever coisa com coisa
mas serei sempre eu quando me digo e me escrevo
direi sempre o que sou com o que sou no que escrevo

repito-me muito - com variações e também com as mesmas palavras

e talvez seja pós-moderna,
gosto de hiperligações - elas são a percepção das camadas
das palavras que eu vejo e que não estão à vista de todos, incluindo eu própria
somos estrangeiros na nossa solidão
somos estrangeiros em território alheio
somos estrangeiros em nós e nos outros
nessas palavras que escrevo amplificando os S's como o silêncio, a solidão e a saudade
somos - palavra que se lê de frente para trás e de trás para a frente da mesma maneira e que no final diz: somos assim.

escrito: © cristina de oalves 



l ou talvez esta:
We were talking-about the space between us all
And the people-who hide themselves behind a wall of illusion
Never glimpse the truth-then it's far too late-when they pass away.
We were talking-about the love we all could share-when we find it
To try our best to hold it there-with our love
With our love-we could save the world-if they only knew.
Try to realize it's all within yourself
No-one else can make you change
And to see you're really only very small,
And life flows ON within you and without you.
We were talking-about the love that's gone so cold and the people,
Who gain the world and lose their soul-
They don't know-they can't see-are you one of them?
When you've seen beyond yourself-then you may find, peace of mind,
Is waiting there-
And the time will come when you see
we're all one, and life flows on within you and without you.