Querida Madame Z
é a poesia que adormeceu parda e continua calada
ao longe
a distância da tua partida
indistinta
a recordação do presente vazio
deixa cada vez menor o futuro
também já foram maiores os dias e as horas
virão outras, compreendo
e tudo será como antes de mim
elas vêm e vão e chegam como ondas elevando-te na praia
eu sozinha entre os búzios
calo o som do meu tempo na mistura da espuma do mar
eu sei que hoje o dia está azul
e são as minhas palavras que permanecem na neblina
nada vejo entre o hoje e o permanecer
ontem fui-me embora
e amanhã haverei de ver
creio
escrito e fotografia: © cristina de oalves
