quarta-feira, 25 de setembro de 2013

bebrave

Querida Madame Z

a propósito de mares e de ventos e de marés e de ondas, muitas muitas ondas. a propósito de um mundo de espuma e de mergulhos. de que tanto falo. de que tanto sou. de tornados e do silêncio, antes e depois das tempestades. a propósito dos despropósitos, da censura das pedras, da perda, dos tesouros perdidos no fundo do mar e do que se encontra nos recifes dos piratas.

__________ dos abismos e dos saltos. da neblina no ar a desenhar um céu incógnito. pode-se sonhar sem saltar no horizonte? pode-se escolher a terra e as perguntas dos seres que a habitam sem a habitar apenas, em frente ao mar?

se eu fosse o mar nunca seria uma brisa nem uma pérola. não seria peixe nem sereia. se eu fosse o mar seria o que sou no mar tal como ele é, na costa que forma na fúria que o define, nos buracos que abre nas encostas, no sal que me queima a boca.

do índico trouxe os olhos. do atlântico tenho frio e a procura do sol nos dias tristes de cinza prateados pela lua. do pacífico trago esta vontade de um dia lá ir dar.

© cristina de oalves