quinta-feira, 26 de setembro de 2013

cheguei[te] demasiado perto

uma vez comentei sobre os meus escritos que convocam o corpo desejo 

a pele nua, o sentir da carne, despida do pudor 
foi aí que me li as primeiras palavras e eram bastante longe de mim 

não me sentia nelas nem [te][me] sentia numa forma que me correspondesse | havia momentos ______________
[mas] o toque não me chegava, não brilhava de dentro | depois havia galáxias e outras luas refletindo sombras na noite, ouvia também eu outras vozes, de outros a reunirem-se em mim, negando a pureza das palavras e dos gestos - essas e esses que te dizem das ocupações sobrepostas | matéria física - que me confinam a um espaço mais limitado do "eu sou" 
fui repensando, ressentindo, reavaliando,
sem (re)definir o erótico "fui eu" ___ lendo[te][me] momentos com o prazer do corpo pele e o cheiro do mel e da hortelã. 
surgiram escritos meus estendidos na quente areia do quente do sol  e desenhei[te][me] mais próximo 
as palavras de que tanto se disse falaram de ti. 
sem as mostrar a ninguém 
sem voltar a ler me de ti. 
sem voltar a mim no ler.
mas não, não [nos] nego do outro lado dos verbos e dos travessões  
a fronteira assim [nos] diz e sabemos 
é uma reunião, esta, imaginada na primeira pessoa, única, do plural sim, é um outro lugar, em frente ao mar, onde venho respirar 
________ o meu ser naufragado ________ contigo não sou capaz de _____ sou capaz de mais e melhor.
até quando isto vai sem a morte da escrita na boca sedenta, nas línguas húmidas e tímidas, nos instintos dos atos de desejo e que questiono tanto nos pensamentos, nos dias mais frios da solidão por preencher de um espaço imenso desocupado, de um só corpo cósmico, só meu, contigo | tantas vírgulas, sabes o que são? eu não sei ____
hoje a chuva... ainda não caiu nos meus braços ... estou nua e com vontade de ti no meu sono. 
por isso abraço tanto as palavras. 
mas calarei o resto do dia, recolhido dos temporais que se avizinham nas vozes da noite já demasiado perto, demasiado real [o som da vida dos dias que acontecem banais]

quem [te][me] mandou sentir este mais próximo se sós somos dentro das palavras a solidão?
repito [te][me], juntos, um dia escrevemos um livro... e aí seremos um só e não mais sós de nós estaremos
e não mais [te]deixarei ocuparares[me] trazendo outras distâncias, com todos os outros sentidos
e não mais faço batota nenhuma deste jogo de palavras como cartas fora de um baralho. 
nem sei porque sou[te][me] assim.
cheguei[me] demasiado perto, estou [me] demasiado longe, isso sim ______
o título é outro | o meu nome também

escrito: © cristina de oalves