como começar a (re)escrever | a interrogação das noites | para lá do cansaço dos poetas | ou do sono da poesia | no barro | na carne | na matéria morta | na natureza viva | esvaziada esta | a sombra | lua crescente depois de nova | encanto após encanto | orgasmo após orgasmo | perene | onde mora o nome por inventar | inventado o quase tudo que já disse | habitante solitário | pausa após pausa | contratempo | quando o tempo de inverter as costas e o peito | diante das balas | o alvo | traiçoeiro depois da espera | tudo rebenta | porquê a humanidade e o sexo quando eu sei que onde cá dentro é como tudo começa | sem palavras ou algumas ainda por escrever |
© cristina de oalves
fotografia: Ginno Cocchi, 2011