Ecce Homo
o atirador de suspiros em soslaio
atinge o peito na chuva
ferindo os dias
carregando as tempestades
de nuvens pesadas
e o vento de granizo.
É uma paisagem comum,
mas tem dias (de) outros.
01 de janeiro.
quedas(te) onde atiras(te) ao chão o voo
e eu volto a não saber de mim e à escrita
esta (des)habitada minha paisagem
natureza para me encontrar
e talvez devagar
o medo das curvas
se perca e se desenhe livre
o horizonte mais amplo
do que um ponto cardeal.
a Este abro as palmas das mãos para cima
a Norte um céu desolado de pássaros
sem outros quadrantes
nem cantos de gestos
em silêncio.
apesar de tudo valerá a pena deixar o indicador apontado
contra o peito das mãos?
Fevereiro, ainda um dia sem data.
© cristina de oalves
imagem (fotografia): Gilles Berquet
