domingo, 9 de fevereiro de 2014

por cada moldura de pele exposta à transparência de um poema há uma imagem invisível que no absurdo é escrita imagem | não tem palavras, não tem rosto nem tempo | de absurdo que é saber-se que está e não está, nem se pode falar, nem tocar, nem ver | sim, muito menos ver o que demais é o dizer que dela não digo | tento ir dentro, olhar dentro, ser dentro | mas é não de dentro que sou, que me vejo e onde estou | sou eu e sou outra, outras, vezes
...a pronunciar o reflexo de outros em mim | silhueta espelho transparência | o absurdo querer inominável | são perguntas e tudo aquilo que não sei | é a vontade do silêncio no silêncio mais gritante | é um palácio habitado de humanos sofrimentos | é o meu desgoverno emocional | é este todo o nada que recolho como sendo tudo nas minhas mãos | para depois | ficando apenas transparência | a libertar a silhueta, o espelho e todos os contornos da moldura | a libertar, assim, os pronomes de posse e os estados de mim para outros | e escrevo-o, ou enuncio(me) um e outros, uma e outras, vezes mais uma vez .

© cristina de oalves

imagem (fotografia): Noé Sendas