sábado, 11 de janeiro de 2014

observam e lêem | palavras e palavras de poemas agudos | dilacerando a gravidade do meu desejo | meço-lhes o corpo | a pele | as contracções | a chama | o chamamento | na calma complacência das páginas em branco manchadas de tinta e dobradas a meio da vontade | então abrem-se outras páginas e páginas de ideários corpos que contam histórias libidinais | cheias de prazer | as palavras soletram-se em letras e enrolam-se na língua | a pouco e pouco | serão sons gemidos | e o fogo abre-se até ao mais íntimo centro do prazer | imagino a masturbação, dos deambuladores sonhos durante a noite, de uns quantos leitores | caem todos os livros ao chão | e o poeta acorda com o estrondo da volúpia

© Cristina de OAlves




imagem (fotomontagem): maurice tabard