segunda-feira, 24 de março de 2014

a escrita anda em viagem como quem vive nómada fora da sua língua
visita-me
guarda-me o olhar
e envia-me um postal
e eu pergunto-lhe o nome de mil lugares
e de tempos em tempos respondo-lhe

| no passado, como se estivesse comigo hoje |

________ todos estão aqui
dentro
memórias
sorrisos na palma da minha mão
uma ou outra lágrima que corre

[jamais] serão nossos os que não estão
e nossas as palavras que se perdem
[sempre] serão nossos os que não estando nos são
e outras palavras nossas que se reeencontram
onde quer que seja que nos leve a vida
________ fito o (in)finito de um álbum poético
numa mala de cartão

a escrita acena-nos
de todos os lados sem direção
a voz dirige
a escrita não
do lado de lá da janela, da paisagem, do horizonte
uma mão solta
a outra mão aperta junto ao peito
antes de voltar a pegar na mala
com as duas mãos
cheias de poemas por escrever

© cristina de oalves