terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Era uma vez um dia

O s/título é essa dificuldade de às vezes designar o assunto sobre o qual partimos ou chegamos quando algo foi feito, isto na arte, sobretudo na pintura, ou pode ser também a vontade de se deixar ao encontro do acaso um tema aberto a outros entendimentos e a outras formas de sentir, mais subjectivo, talvez, mas a partir da empatia ou associações pessoais que estabeleça com o outro, o que nomeia uma pintura, etc. de s/título, será mais amplo certamente.

E depois pensei, dá-se o mesmo quando dizemos numa narrativa o “era uma vez”, apenas lhe damos a tónica do tempo, de resto o assunto em si não fica designado, ou da mesma maneira quando se diz “um dia”.

Ora dar um nome “à coisa”, enunciar as palavras certas para a partir delas discorrermos um pensamento com algum fio condutor é deveras complicado para mim nestes tempos que correm. Queria que neste começo de ano tudo ficasse claro, queria uma luz vinda de dentro que me dissesse “é isto” ou “é este o caminho”. Não queria uma luz emanação de fora, mas uma luz de dentro, eu própria mais clarificada, eu mesma sabedora do meu caminho e das minhas escolhas. E queria também a par disto que o passado ficasse lá, no era uma vez.

Conheço-me e sei que quando começo a escrever sobre algo que me inquieta e não digo coisa com coisa é sinal que já é demasiado o que vai cá dentro, e preciso de me clarificar,  para onde vou neste aqui e agora?

Ora, coincide também que é o primeiro dia do ano, e não costumo escrever nada em função de um novo ano, por regra o que saem são conjecturas sobre indecisões e vontades e a vida que parece igual quando reparo que o novo ano abriu portas.

Então escrevi no título s/título "Era uma vez um dia”, como não sei para onde encaminhar(me) foco-me na abertura de ano como mais uma despedida do que uma chegada.

Vamos a ver. Talvez volte a escrever mais no blog. O mais certo é não ter tempo, ou esquecer-me. Neste momento apenas tenho como decisão ir amanhã comprar uma agenda, tem sido difícil encontrar uma agenda que goste e quem sabe seja por isso que ando tão esquecida e confusa e sem saber o que fazer... Uma desculpa como qualquer outra. O que é certo é que uma boa agenda é meio caminho andado para andar mais organizada e metódica.

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abrir mão ficar de pé
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