sexta-feira, 11 de junho de 2021

Por falar em músicas, ainda estou a acordar mas por mim ficava a dormir...

Hoje conheci isto...
T A Y L O R S W I F T – Folklore [Full album] 2021 

A música que ouvi, Exile, é capaz de ser realmente uma das melhores... com a participação do Justin Vernon (Bon Iver). Ou talvez não, acho que é daqueles álbuns que quanto mais se for ouvindo mais músicas se vai gostando. Porque entretanto estive a ouvir o resto do álbum, estou a voltar a ouvir ainda agora e sim, é bom no geral, é suave, é uma boa companhia. Contudo com aquela música ouve uma tristeza que já cá estava e que se instalou... como um "emplastro" que se apodera e só dá mesmo para esperar que passe, embora a vontade seja arrancá-la do coração, tem uma capacidade de se espalhar que é inacreditável, e sente-se fisicamente, o que lhe dá uma consistência que arrasa a vontade e a ação, fica-se sem força, quanto mais durar pior, toma conta de tudo. 
Não é de todo uma das músicas mais tristes que ouvi, nada disso, mas fez com que se instalasse uma tristeza que já estava a vir a ir, a vir a ir, e de repente não consegui mais... Àqueles que dizem que um pouco de tristeza nos estimula a criatividade eu gostava de saber como é que fazem esse milagre das "rosas" e como medem "um pouco" e como equilibram isso com "criatividade", de onde tiraram essa brilhante "ideia criativa"? de que livro de bruxarias ou em que planos geométricos traçam essa ladainha ou essas premissas!? Alguma vez se sentiram tristes realmente? Deve haver várias palavras diferentes para diferentes tipos de tristeza, isso ok. Mas uma lista dessas ninguém tem vontade de fazer, se houver algum criativo com um pouco de tristeza força! Como se quem está triste sentisse força ou quisesse pensar na tristeza... Triste é estar triste. Eu neste momento já não estou assim tanto, vai e vem, outra vez, mas com menos expressão, ou seja, é menos doloroso, mesmo assim se pudesse carregar no tempo e avançar um bocado era o que fazia... E ainda por cima chove.  Quando estou triste, tal como quando estou contente, tudo parece relacionar-se. E a gata que insiste em ficar em cima de mim!
Por coincidência... estava eu a tentar, à bocado, não me concentrar na tristeza, e lá vem a bichana como quem "incomoda de propósito"...  por vezes até resulta. Mas a melhor forma de não deixar alastrar demasiado, se se conseguir, e nunca se sabe, é fazer algo de concreto, uma coisa não complicada, não demorada, uma coisa que se consiga mesmo fazer, que não implique pensar muito. Cada um tem de encontrar a sua tarefa, creio eu, para mim cozinhar é bom, ou lavar qualquer coisa. Mas qualquer coisa que se faça, até não fazer nada, é um cansaço imenso. Outra coisa que costumo fazer, quando começo a ficar um pouco melhor é tentar perceber, enfrentando o "momento" ou o "motivo" pelo qual aparentemente fiquei "triste"... raramente resulta porque à partida a tristeza não tem lógica, ou seja não tem razão. De alguma maneira também procurar qualquer coisa à sorte, que nos distraia, às vezes ajuda, sem fixar muito nada, sem dar muita importância a nada, e por coincidência à pouco encontrei um artigo sobre um livro de poesia, de um Frederico Pedreira, "Coração Lento", e mesmo que seja uma crítica terrível a um livro que nunca li pareceu-me pertinente o que li (generalizando) e lembro-me de há uns anos atrás pensar exatamente assim: existir numa data de "poetas" uma certa tendência para reduzir tudo a um cinzentismo que não parece deixar grande saída. Fala de uma derrota, "este derrotismo, esta impotência generalizada que capturou e que se abateu sobre uma parte considerável da poesia portuguesa contemporânea (...)" e diz que "tudo isto é um dispositivo retórico ou, pior, não passa de uma autocomiseração através da qual uma certa poesia se regozija pela sua própria impotência." Bom, eu sei que o artigo, de um tal João Oliveira Duarte (no jornal i), era sobre a uma "certa poesia portuguesa" e tomando como exemplo concreto esse tal livro "Coração Lento", ainda assim agradeço, de todo quero fazer parte desse cinzento, dessa autocomiseração, se fosse sobre a "minha tristeza" ter-me-ia afundado mas como não era acabou por funcionar como uma ajuda, serviu de "bocejo" e não tendo nada a ver arranjei maneira de, mesmo com os olhos pesados, a cabeça tonta, e meia zonza, fazer alguma coisa, como escrever esta treta. E até já consigo pensar que vai ser bom adormecer com a chuva.