Este ano fixei-me no Paul Auster, depois da As Loucuras de Brooklyn li No Pais das últimas coisas, o impacto foi menor, talvez por ser num "mundo indeterminado e devastado", que tendo parecenças com o nosso mundo é como se dele excluísse tudo o que ainda resta de bom, ou quase tudo, e dessa exclusão apenas nos ficasse o horror apocalíptico, diria que a história está muito bem montada mas não me senti tão próxima das personagens como já vem sendo hábito.
Gosto, como de costume, da escrita do Paul Auster, um desenrolar que toma conta de nós e que se tivermos tempo gostamos de ler até ao limite do que surja termos de cumprir. Ficaram-me algumas frases, que sublinhei, depois hei-de lê-las de novo, soltas, a ver do interesse.
Logo a seguir li A Boa Sorte, de Rosa Montero, adorei. Não conhecia a autora. Muito dura a história também, mas li sempre com vontade de mais! A cada pedaço um acontecer, de outro vinha para outro seguia, e achei mais possível, achei mais próximo, mesmo que nada a ver com a minha realidade consegui ver tudo como real, senti a dor e o prazer, senti o calor e a humidade, senti o pó, senti a perda e o encontro.
Só agora me apercebo, preto no branco, que não li livros lá muito animadores... mas também não são desanimadores, em ambos há mudanças significativas, há perdas muito duras, mas há também uma esperança condutora, sem ser obsessiva ou ditadora, há uma força soberana, uma energia que vem do fazer, as personagens a todo o tempo fazem algo, não se ficam, não são meros poetas do pensamento, nem filósofos, são fazedores, são construtores, são terra e fogo, não são seres aquáticos nem têm ares de leveza, não há sereias nem deuses, há gente com sangue e pele, por vezes quase senti o cheiro!
Agora estou a ler A Única História do Julian Barnes, fui pesquisar sobre o autor, não me lembro como cheguei a este livro, penso que foi sem querer a folhear livros na livraria, descobri que também tem dois filmes a partir de livros seus e nos quais trabalhou no argumento (ou seja não são filmes apenas baseados em dois livros seus), a ver:
The Sense of an Ending (O Sentido do Fim), de Ritesh Batra (2017) e, bem mais antigo, Metroland (Reflexos do Passado), de Philip Saville (1997).
