terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

até já primavera



a geada da manhã ainda repara os botões das camélias que vieram do japão a sorrir,
chegadas no frio descrevem a cidade pintada de branco e rosa pálida a ficar bonita
com excertos de música visual como de poesia sonora
[palavras silêncio]
podem ser uma espera um escrito um enunciado sem cálculo nem matemática certa
[as palavras que rompem assim]
interrompo.
mais logo continuo... a noite também abre geadas a florir.
sem números de horas certas e previsões indefinidas por estatísticas
as emoções acontecem imensas na sua intensidade
não sabemos quando nem percebemos bem como.
havia qualquer coisa a dizer que ficou na sensação do mais logo
há dias de recomeços.
é inverno e tem dias que parecem de primavera.
também há dias de tempos de espera.
[era uma vez]
inúteis contas de haver
apenas reparo.
na janela em frente, lado a lado, com o nascer do sol,
por trás da vidraça, as flores.
camélias, sinensis, falam de silêncios enalados
tocam pensamentos com sabor a chá perfurmado
e na mesa da sala pousam-se as chávenas.
japoneiras, beleza de inverno, a florir no frio, chamam-se pela sua origem.
a natureza diz.
só porque é assim mas não é só isso
são séculos de história e de jardins e de mudanças de estação
a florir nos dedos e no sorriso dos lábios.

até já... primavera.

in escrito/fotográfico: © cristina de oalves