seria como uma terra sonâmbula? seria como um lugar incógnito? seria um espaço sem terra? de vez em quando reage, como se o seu olhar etéreo conseguisse manter uma vigília sobranceira para com as pequenas asneiras ou desastres, mas só isso | o brilho do olhos esvaneceu-se | debaixo do braço as olheiras tombam, descaídas sobre o passeio, pesando sobre as pernas [___________ sem esses olhos os meus cavam buracos _____ não consigo ficar a ver___ sem sentir que sou um só_____ buraco negro no caminho… porque ainda caminho, trôpega, resolvo ir até ao mar molhar as pernas, as conchas e a areia e as ondas rasteiras revolvem-me os pés, dizem-me que estou viva ou que apenas vivo, faço de conta que não há diferença, cansados complicamos menos, ficamos no nada e por isso gosto tanto de nadar, em gesto de brincadeira aceno às gaivotas, enquanto elas se mantém à tona, riem sobrevoando a zona, colhendo o sol e o som da chegada do calor | ainda o tombo a preto e branco… [assinar sem olhos]… a mim a dor perante este estar… como pegar na mão do aceno e dizer levanta-te e anda também? o ar já não é para todos? a terra onde estamos? depois de deus… perdemos o espaço ou simplesmente caímos do céu?
©cristina de o alves
Publicado no grupo Sintonia sobre Pretexto (facebook) a 26 Março 2012
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