sabes, o abandono | de regar as plantas | eu, deixei de ir à janela | onde fraqueja a luz do sol | porque a dor de uma árvore arrancada me leva os braços em galhos __________ de dedos partidos | a vontade de pegar nas minhas duas mãos __________ sós | que apenas servem para cobrir todo o meu rosto | sem centro | não há chaves porque não há resguardo | quando se lança uma bomba a quatro mãos | para dentro de um peito aberto | desfeito por duas vezes | em chamas de lágrimas | e me construo de novo | se me levanto | como? quando à distância | a solidão | tudo | faz nos ver | mesmo não querendo | como? na espera de um tempo incógnito | de uma casa sem número | de paredes soterrada __________ talvez da coragem | eu senti existir | nas tuas duas mãos e no teu sorriso único | mas nas tuas emoções perdeste? __________ talvez da autenticidade | eu senti existir | nas tuas outras duas mãos agora mas já antes | de ter pensado o bem me saiu o mal grado? somos? se os cães que me morderam as pernas | disseram | não venhas | chega de perguntas _________ sem resposta | sem telhado para me cobrir | não pertenço | a nenhum lugar __________ nesta música eu estou
© cristina de o alves
Publicado no grupo Sintonia sobre Pretexto (facebook) a 11 de Junho 2012