segunda-feira, 18 de junho de 2012

o brilho, a luz trémula, em sentimentos desconhecidos

dão me sinal as lágrimas que tento que não saiam ____________ aperto no peito e na garganta afundo-as | Maldigo o que me sai no que digo | pode ser a “sempre”, a “algum”, a “nunca” ou a “nenhum” pode ser “que importa”, exclamação, interrogação talvez | enterro ____________ as palavras birra dessas repetidas por mim, tantas vezes transpiradas | parece que deixam recado [de uma forma ou doutra teimo] houve quem dissesse “vai ver, lá fora a chuva caía imensa, inundava os jardins” | fui ver, não era neve apesar do frio gélido nos dedos, eram chamas na tua boca e entre a chuva ardia uma fogueira quente | o caminho foi ainda assim de cabeça baixa | ouvi também lá longe que ia como quem marcava as pés sobre o cimento | sobre o ainda assim | seguindo o rasto dos sorrisos descaídos | fui vendo as ruínas, as obras que escavavam repetidas vezes os buracos do chão, ouvia o som dos berbequins, as máquinas de fazer cimento, e todas os sons [tinha a letra c no começo] a cidade, os cabos, os canos e os cardos que cresciam nos cantos dos muros crus | restava pouco dos jardins... mas nas sílabas desajustadas dos caminhos havia o repouso, o ser/mão ____ O que importa? continuarei sempre a perguntar me | tudo o que digo eu é a maior confusão | talvez opinião emocionada em | tempestade dos ruídos da cidade | equilíbrios quem os tem no vento agreste e na chuva de granizo sobre a pele. | sim | quero jardins de relva húmida onde nos deitamos com o aroma dos verdes dias |


© cristina de o alves (escrito e registo fotográfico sobre vídeo - exposição Trisha Brown, Serralves 2011)
Publicado no grupo Sintonia sobre Pretexto  (facebook) em 3 de Junho 2012