escrevo ferida : não se compreende a injustiça do cair julgamos o permanecer caído_______ e quando perdemos a estrada e o olhar se volta para dentro? ergo o pescoço frágil para cima, procuro uma nuvem que me leve suave ___ ____ ________ _________ __________ __________ ___________ ___________________ depois, fecho os olhos para ouvir o som do bater do coração_______ leio o que disse | cicatrizo ________ depois, deixo de me ouvir ___ ____ ______ ______ ______ _______ ________ ______________________ ouço o estrondo de plutão no choque de duas nuvens cinzentas | as minhas penas com sangue chovem | tudo ao mesmo tempo | já não me leio |abrem se as dores | rasgo no voo do vento uma ferida corrosiva que me sai do papel | sinto demasiado o que sinto, sinto muito, demasiado sentida | penso, considerar o que estou a sentir | como uma criança ou uma idosa pronuncio com a voz trémula “não consigo”… esqueço o que deve ser, o que tenho de… dizer | não se compreende a vida | a magia | vivo ______ em meses de inverno ouvi falar de emoções. | pés na terra, olhos em baixo, enterradas no verão | volto a tentar pensar o que sinto, sentir o que penso | desprender-me dos astros, dos medos e do desejo | do que foi | do que virá a ser ______ um momento que [se] eu pudesse... abreviar e não ser breve no voo [se] de ti, ao centro, os meus dedos falassem | de dentro trariam segura pelo caule uma flor roubada | na cartola de papel, rasgada, procuro um sorriso ou talvez a forma de um, como se eu fosse ainda um pássaro branco sem nódoas negras de tantos tombos no palco dos ilusionistas
© cristina de oalves
publicado no grupo Sintonia sobre Pretexto (facebook) a 29 de Junho 2012 (com alterações)