sexta-feira, 5 de julho de 2013

sobra-me o vazio

deste vazio | em que me morres dos dias | do tempo em que nos abandonamos ao tempo | se te pudesse dar um nome? foste uma boca fechada, que se abriu, uns olhos pardos, que se iluminaram, um chamamento de longe, que me trouxe perto, uma pele segredo, que me cheirou a sossego | do mesmo lugar vago entre mim e ti os planos são outros mas aqui estamos | os dias já não me querem saber | da difícil dor de te pedir | há forças e há polos | várias portas e uma janela | existem linhas de campo e consegue-se ver a direção de nada | falo constantemente do hoje para não acordar o passado e porque o futuro é uma linha de passos que não ouso dar | às vezes paro de respirar | e depois continuo... a condição para que a divergência de planos seja nula equivale a dizer que não podem existir nem focos nem nós | aconteceu outra vez | continuo... porque nesse caso a soma dos valores será sempre nula | como tudo | o que digo já foi dito chorado e lavada a cara | para obter um ânimo mais forte e eu aqui a enfraquecer sem ti | dobrei-me para o outro lado da vida | como quem dobra um corpo partido | para ceder à natureza e esperar por ti | outra vez
© cristina de oalves