nascida de uma manhã confundida de prata brilhando a dourado |
noutro hemisfério como se ao fim do dia me nascessem os dedos |
com um anel redondo saltando |
os parágrafos da escrita |
com uma pinta informe |
de negro a vermelho |
com árvores a crescerem-me no peito pelas sombras sem como conseguir ainda falar |
do |que |
sou |
entre a neblina |
pedindo _______
– vês-me?
entre a calma e o incerto |
destinada a não saber dizer-me escondida entre |
as palavras como quem espreita um vento que não vem |
respiro frases |
demasiado prolongadas |
no céu |
sonho o desconhecido |
de uma viagem |
[...]
e numa ou noutra frase |
chegaste mais tarde a passos largos com o olhar pousado no infinito e disseste: és uma paisagem |
_____ no dia seguinte, deixei o meu cheiro de terra molhada, à sombra das tuas mãos, debaixo da noite a cair, em busca de uma só palavra e um ponto final.
Decidida a que ouvisses o meu nome no teu |
Desloquei[te][me] para fora de ti |
na mancha desfocada de um reflexo |
e aí fiquei a ver[te]me ao longe num pedido de contemplação ______
escrito: © cristina de oalves | fotografia: © Pedro Goulão Taborda
