terça-feira, 7 de janeiro de 2014

| gostava que o amor fosse sempre primavera | o canto dos pássaros | a beleza das flores e das árvores que se despedem do ano comovendo o espanto de as ter vestido a primavera de algodão, de heras, de ervas frescas |
o inverno é uma estação de paragem em crescimento indefinido | os dias ampliam a luz onde eu sinto a tua falta, que não sabes | o olhar é outro arrepio | corpo nu da paisagem | 
até que chega o sopro da escrita de março | ainda é o cheiro distante | e em mim não é suspiro, onde eu sinto a tua falta | dói me o peito nas folhas caídas diante dos pés | o pensamento triste em regeneração matinal de uma noite a 3ºC | 3 vezes não respirava | 
pergunto onde andamos no mundo dos sonhos sem dormir | 
somos só(s) | corações recolhidos no ar efémero do mundo adormecido?
somos só(s) | perguntas | sem resposta?

o mundo um lugar incerto carregado do nevoeiro das certezas anónimas | gostava de amar sem a fúria dos temporais | de ser de alguém sendo eu mesma em todas as minhas estações e paragens

escrito: © cristina de oalves

imagem (fotografia): eni turkeshi→broken blossoms