domingo, 19 de janeiro de 2014


há um pensamento maça, esfera semente em cada encontro | e lá | as fontes de palavras-lágrima, na curva do mundo retomam os abraços passados | e aí | permanecem repetidos os ciclos de dádivas e de perdas | e daí como quem também já disse | renasce-se na vencida natureza morta, de volta à primavera por florir dos dedos soltos pensamentos de consumada criação | e ali | talvez um pequeno limite se imponha, aspas nas súbitas pálpebras das árvores | e aqui | ligamentos, ligaduras, ligações - menos do que uma enxertia | e no tempo que demoram todos os lugares | há uma repetição constante  que segura o rosto | no silêncio bloqueado da garganta | essas abruptas inspirações | esses ténues (des)fasamentos | cá dentro | onde cresce uma forma | um movimento no corpo que pressente | uma renovação | uma escrita que entoa os gestos de uma voz | e que começa com as primeiras letras do cosmos "amor" e o primeiro verbo conjugal "ser e estar" | como a existir em toda a parte e em todas as repetidas vontades de ter tempo - mais do que um fragmento alheio | como a existir num outro espaço de paraíso (des)assombrado

© cristina de oalves




imagem (fo tografia): Antonio Palmerini