segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

uma aurora crepuscular urdida longe
dos abrigos das conchas
uma aurora fria, dura, que entra pela foz do rio
apaga em ti as luzes na praia vazia do verão
finda a poesia 
entre duas marés embatidas nos penhascos
fica o rugido, o teu mais alto eco a desgastar-se
palavras sismos de grau máximo debaixo da pele
letras abertas reentrâncias, que alargam o fundo dos oceanos
e não é a morte que sobreveio sem aviso
é a vida que ainda vive sem querer

© cristina de oalves

imagem (fotografia): coreografia “En atendant” e “Cesena”, de Anne Teresa De Keersmaeker