uma aurora crepuscular urdida longe
dos abrigos das conchas
uma aurora fria, dura, que entra pela foz do rio
apaga em ti as luzes na praia vazia do verão
finda a poesia
entre duas marés embatidas nos penhascos
fica o rugido, o teu mais alto eco a desgastar-se
palavras sismos de grau máximo debaixo da pele
letras abertas reentrâncias, que alargam o fundo dos oceanos
e não é a morte que sobreveio sem aviso
é a vida que ainda vive sem querer
© cristina de oalves
imagem (fotografia): coreografia “En atendant” e “Cesena”, de Anne Teresa De Keersmaeker
