sexta-feira, 18 de julho de 2014

deitas-te tarde pela noite acordando o desejo mórbido do fim
[de uma vida atormentada de poeta que desafias]
poemas e poemas e corpos nus
desenlaças o mistério da prosa, do sufoco e da morte
tu que partes e que chegas e que nunca chegas e sempre partes
[eu que fico nesta espera]
tu que dizes o que não escreves e que escreves o que não dizes
[eu que sou apanhada de surpresa, sentido o espanto pela dor]
tu que me acusas pela calada a ficção que te atormenta
[eu que aqui venho libertar os sentidos de te ler pela manhã]
tu que acusas pelos olhos e a boca apertada o que te incomoda
[eu que grito a revolta do que mentes]
tu que inventas resta uma vida sem saberes quanto resta
perdes-te assim no tempo
[eu perco-me assim da vida
e perco-me assim de ti]

© cristina de oalves
Imagem (colagem): Franz Falckenhaus