As palavras colhem-se com as estações
no sentido inverso do sol e dos hemisférios
douradas vão murchando com o cheiro das castanhas e da terra molhada
apodrecendo em folhas ressequidas pela lástima do fim do verão, que nem chegou a ser
elas tornam-se páginas e páginas de hastes nuas e de inverno
As palavras voltam na lentidão da noite que demora a amanhecer
e no calar dos pássaros e das cigarras voltam-se para dentro
e dizem-me
e dizem de ti
a história do tempo
ao contrário
do pulso pousado sobre a mesa
do delicado sentido de serem tudo
nos dedos que as escrevem
tudo o que resta
tudo
a luz do avesso
© cristina de oalves
imagem (fotografia): Agnes Prammer, Das Schloss, 2010
