segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

| há uma marca de esquecimento

há uma marca de esquecimento em todas as árvores
a do inverno 
que sobressai nas folhas perdidas do outono
nos galhos dobrados pelo vento
a do tronco rugoso pela terra seca no verão
debicada por cada pássaro primaveril

tudo isso renasce a cada estação
transforma-se o vento, a chuva, o sol, a espera?
sim | a paisagem abandonada de um não-retorno
deixando sombras frágeis

é aí ______
depois de tudo que fica o nada
que não sabes 
nem sequer uma lembrança
escurecendo a raíz
do poema
guardado algures num caderno
cheio de páginas rasgadas
perdidos os nomes dos lugares

assim te esqueces e o ciclo recomeça

texto e imagem (fotografia):© cristina de oalves