a dança nos dedos soltos da palavra: escrita
dentro do ar o ar do corpo leve, livre do peso, da pena, da frase certa, do tom, do derradeiro toque final do pincel, da humidade da tinta, da china
“Resta um túmulo verde face ao crepúsculo violeta”
O cheiro a absinto derramado pelo chão
um velho piano no canto da sala, uma partitura
“As suas mágoas em música, como que põe, sentida”
Sentou se no soalho reparou noutro caderno, assinado Liu Zongyuan, cruzou as pernas e leu de olhos fechados, ocorrendo à mesma frase 100 vezes, “quando se atira o coração para o espaço todo preencher é nesse silêncio mortal que se ouve o estrondo do trovão”.
escrito & fotografia: © cristina de oalves
