tu não precisas de vir nem me prendas à dor
nos meus olhos
bem sei, tropeço nos meus próprios calcanhares
e quando comovo a sorte perco o caminho e o céu que me habita
nem sei porque escolho isto ou aquilo nem porque não escolho
e porque sim
e porque não tenho escolha
mas somos sós
eu, no meio disso e em lado nenhum
visceral digo o que não me ocorre
tu, sobretudo quando te ocorre tudo
e
nem sei o que te diga
para que eu, sem nome nem boca
te exista
e tu, sem verbo nem pronome
me permaneças.
© crisitna de oalves