terça-feira, 29 de maio de 2018

tu não precisas de vir nem me prendas à dor
nos meus olhos 
bem sei, tropeço nos meus próprios calcanhares
e quando comovo a sorte perco o caminho e o céu que me habita
nem sei porque escolho isto ou aquilo nem porque não escolho 
e porque sim
porque não tenho escolha
mas somos sós 
eu,  no meio disso e em lado nenhum
visceral digo o que não me ocorre
tu, sobretudo quando te ocorre tudo
e
nem sei o que te diga
para que eu, sem nome nem boca
te exista
e tu, sem verbo nem pronome
me permaneças.

© crisitna de oalves