sábado, 9 de maio de 2020

Mesmo que não tenhas “jeito" dança...

Este é um bom exemplo, porque isso de ter “jeito” é um falso preconceito (como a maioria dos preconceitos). Eu olho para o começo desta cena e para mim não há nada ali, nos movimentos do Oliver (Armie Hammer), que me cause empatia, nem corporal, nem espiritual, não há sensualidade, não há ritmo, não há balanço, isto é como eu vejo, como eu sinto, no entanto a música é boa, o momento é animado, mas sem dúvida é um momento “click” para o Elio (Timothée Chalamet). A cena é demonstrativa, vamos tomando nota da empatia, do chamamento, da sensualidade que os movimentos de Oliver provocam em Elio, acabando este por se levantar e ir também dançar, ele sim, muito mais sensual, sem fazer esforço nenhum. Dançar é também ver dançar, é um sentimento de fusão. E não importa de facto como dançam os outros, importa é dançar. Tal como rir, não é o jeito, é o contágio de algo que nos faz bem. Desligar os preconceitos, deixar entrar a música e soltar os movimentos.

Call me by your name (2017), dir. Luca Guadagnino