A minha relação com este blogue acaba por me surpreender pela positiva.
Venho aqui quando calha, quando lembro, sem saber bem porque calha ou porque me lembro. Não é por ter tempo, às vezes tenho e não me ocorre de todo. A vontade de deixar um registo é um bom motivo, pelo menos é o que se encontra mais associado à lembrança de ter um blogue, mas quantas vezes o registo é feito em outros meios e não me lembro do blogue. Portanto não sei e nem me interessa, não tenho motivo nem regra, mas quando aqui venho e vejo um ou dois dos meus registos anteriores fico contente, vejo que há um surpreendente encadear de assuntos, uma certa coerência estética, e não é pensado, ou seja, é sem uma intenção prévia. Gosto disso.
O cinema, os filmes, têm sido o que mais me provoca esta vinda aqui, nestes últimos tempos (anos?!). E encontro neles uma ligação a tanta coisa. E foi assim que hoje me lembrei de voltar. E ia escrever diretamente sobre o filme quando fui ver o que tinha publicado antes... e voilá! é mais um filme dos franceses Olivier Nakache e Éric Toledano "Samba", de 2014. Amanhã provavelmente vejo-o outra vez, é mais uma novidade em mim. Já não basta ver tantos filmes, bons e fracos, é verdade, muitos são fracos, não fracos no sentido de maus mas de nada terem de especial. A vantagem: varrem-se-me do pensamento à velocidade da luz. Portanto também não ocupam espaço (mental). Ocupam tempo, mas este às vezes é bom ser ocupado sem nada que nos canse... e têm algo que a meu ver é bom, geram a expectativa de que a qualquer momento sejam melhores... talvez sirvam de treino à "esperança" - que a maior parte das vezes é mesmo assim, uma desilusão. Mas depois percebemos que sobrevivemos e um belo dia lá surge um filme melhor.
E o "Samba" é exatamente isso. Amanhã revejo. Emocionei-me a vê-lo. Já não me acontecia há imenso tempo. Foi um só momento. Não percebi porquê. É sobretudo por isso que quero voltar a ver, para descobrir se foi o dia de hoje, sou e é algo sensorial, externo, provocado pelo próprio filme (uma frase, um som, uma cena, um gesto) ou se é algo em mim, uma conexão comigo.
